“Cristianismo” irracional

Gostaria de começar esse texto com uma citação retirada do livro “Filosofia e Cosmovisão Cristã”, J. P. Moreland, W. L. Craig:

Devo ser franco com vocês: o antiintelectualismo é o maior perigo que o cristianismo evangélico americano enfrenta. A mente, compreendida em suas maiores e mais profundas faculdades, não tem recebido suficiente atenção. No entanto, a formação intelectual não ocorre sem uma completa imersão, durante anos, na história do pensamento e do espírito. Os que estão com pressa de sair da universidade e começar a ganhar dinheiro, trabalhar na igreja ou pregar o evangelho não tem ideia do valor infinito de gastar anos dedicados à conversação com as maiores mentes e almas do passado, desenvolvendo, afiando e aumentando o seu poder de pensamento. O resultado é que o terreno do pensamento criativo é abandonado e entregue ao inimigo. Quem, entre os evangélicos, pode enfrentar os grandes pensadores seculares em seus próprios termos acadêmicos? Quem, entre os estudiosos evangélicos, é citado pelas maiores autoridades seculares como fonte normativa de história, filosofia, psicologia, sociologia ou política? O modo evangélico de pensar tem uma mínima oportunidade de se tornar dominante nas grandes universidades da Europa e da América que modelam toda a nossa civilização com seu espírito e suas ideias? Por uma maior eficácia no testemunho de Jesus Cristo, bem como em favor de sua causa, os evangélicos não podem se dar ao luxo de continuar vivendo na periferia da existência intelectual responsável.

 

Há algum tempo faço alguns questionamentos, entre eles sobre o “cristianismo “moderno”, mas aí, lendo sobre santos piedosos do presente e do passado, vejo que eles também fazem tais questionamentos e põem em cheque o que chamei de “cristianismo” “moderno”. Não que eu seja alguma coisa, muito pelo contrário, sem cinismo algum, sei que sou pecador, que no maior de meus esforços o que posso produzir algo que quebra as leis de Deus e que preciso dele em todas as áreas de minha vida. Também reconheço como os cristãos pré-reforma, os reformados do passado e do presente que a Bíblia é mais que suficiente como regra de fé e prática para a vida do homem.

Mas esse “cristianismo” “moderno” parece ser tão distante do que deveria ser, ele é tão pífio, tão cínico, tão orgulhoso, onde as pessoas muitas vezes buscam mestres para se satisfazer (II Tm 4.3), deixando a Bíblia de lado. Outras vezes, colocando temas secundários como principal, deixando a cruz de Cristo como coadjuvante. Um cristianismo midiático, das tendas dos milagres, do jejum miraculoso, disso e daquilo outro.

Ora, mas qual o problema desse cristianismo? Veja por exemplo a bancada “evangélica”, porque essa bancada não consegue sucesso em temas de ética cristã como aborto, eutanásia e tantas outras coisas? Ora, é complicado muitas vezes de se haver até um debate, você vê pessoas totalmente destreinadas, sem a mínima capacidade de argumentação, muitas vezes não aceitando o debate e usando apela à autoridade ou até ataques pessoais. Muitas vezes seus argumentos deveras rasos são desprovidos até de base bíblica. E parece não haver uma preocupação com isto! Mas o que Pedro diz em uma de suas epístolas:

Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês

1 Pedro 3:15

Ora, mas não deveríamos estar prontos para responder tais perguntas? E como respondê-las e tantas outras sem reflexão, sem um estudo dedicado da Bíblia e dos livros ortodoxos que nos ajudam em nossos estudos das Escrituras?! O que se vê é um cristianismo que se baseia demais em emoção, que deixa o intelecto de lado, mas o nosso culto não deveria ser racional (Rm 12.1-2), o temor do Senhor não é o princípio da sabedoria? Então, por que esse cristianismo moderno relega tanto isso? Qualquer pessoa que leia os evangelhos, vai ver que Jesus sabia argumentar contra todos os seus acusadores e deixava-lhes sem argumentos frequentemente. Mas não para por aí, no livro de atos os apóstolos argumentavam em seus sermões de acordo com as Escrituras, Paulo foi acusado por Festo de estar enlouquecendo por muito estudar.

Aqui cabe momento para a reflexão, como o cristianismo vai conseguir defender dos ataques do mundo? Como poderemos defender nossa fé? Como poderemos argumentar a favor de um Deus soberano e de sua graça revelada aos pecadores eleitos? Como destruiremos todo argumento e pretensão que levante contra o conhecimento de Deus? (II Co 10.5) Ora, a solução é somente uma, a renovação de nossa mente, uma vida dedicada à palavra de Deus, sabendo que ela e somente ela é nossa regra de fé e prática.

O cristianismo verdadeira, não é moderno, ele foi instituído por Jesus e os apóstolos, ele é um cristianismo pronto para se defender, mas também para avançar, sem medo e preparado para enfrentar qualquer dificuldade em qualquer terreno em que esteja, muito diferente do “cristianismo” praticado em tantas igrejas e pessoas nos tempos hodiernos.

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