A excelência da busca pelo Pai

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Joseph Campbell foi um estudioso de religião comparada, uma de suas obras se chama, em português “O herói de mil faces”, é um excelente livro no qual o ator se propõe a estudar os mitos, mostrando que em todas as religiões há algo em comum, além do que a jornada do herói, ou monomito, em português, sempre muito parecidas tendo um ciclo em comum.

A jornada do herói, ou monomito, é o ciclo que um personagem mitológico, fictício passa. No livro, Campbell tenha mostrar um paralelo entre essas histórias e a vida das pessoas, pois até mesmo personagens históricos passam por algo parecido. Por exemplo, Sansão: ele recebeu um chamado de Deus ainda antes de nascer, passou a vida rejeitando o chamado, foi iludido por fatores etéreos, no caso dele mulheres, mas no final entendeu seu chamado e morreu cumprindo sua missão. Mais um exemplo, Moisés: Ele nasceu e foi salvo por um ato miraculoso, mais tarde recebe seu chamado de forma sobrenatural, nega o chamado, depois o aceita e busca cumprir sua missão. Um padrão sempre se repete.

Nessas jornadas mitológicas, muitas vezes há um herói que parte em busca de seu pai desconhecido, sendo também uma busca por identidade. Ora, mas o que há em comum com a vida do cristão? É justamente a busca pelo Pai, que é a busca final do cristão. E é sobre ela que gostaria que meditássemos um pouco.

Tudo começa quando somos salvos, justificados pela obra de Cristo, estando ainda mortos espiritualmente, Ef 2.5. Sendo convencidos do pecado pelo Espírito Santo, Jo 16.8. Deus nos leva até Jesus, Jo 6.37. Jesus ainda diz neste último texto que não rejeita aquele que o Pai traz até Ele, afinal os que vem a Jesus já estão predestinados antes da fundação do mundo. Agora começa nossa busca por Deus e pela glorificação de Deus através de nossas vidas, mas como saber agradar a Deus, como glorificá-lo, senão indo a Ele? Começamos, então a mais sublime das jornadas!

Na nossa caminhada, deixamos para trás o que veio antes de Cristo, tudo se torna supérfluo depois da iluminação que recebemos, as coisas que antes nos agradavam se tornam apenas névoas, ilusões etéreas, que servem apenas para nos distrair, Hb 12.1. Afinal essas coisas não se comparam com a glória do porvir, que é a contemplação do Pai, que é estar eternamente na presença do Pai! Temos de nos lembrar sempre disso, estarmos focados nisso! Nossa jornada não é por nada terreno, por mais agradável que algo terreno possa ser, ela é por algo eterno, não passageiro, que é a presença do Pai.

Mas nem sempre a caminhada é fácil, as dificuldades vem, querendo trazer com elas o desespero. Contudo, nesses momentos devemos nos lembrar que Jesus está conosco e que as dificuldades tem um propósito divino também, nosso amadurecimento, espiritual e pessoal, assim como também estamos mais próximos do Pai! Sim, a busca por conhecer a Deus passa por conhecermos a nós mesmos, meditação na palavra, para termos mais confiança em Deus e cada vez mais percebemos que todas as provações não passam de nuvens passageiras, que não se comparam a glória eterna que teremos na presença do Pai.

Muitas vezes, também, nos distraímos por não entender que Deus pode realizar nossa busca por satisfação e felicidade! Em nos jornada, o amadurecimento serve para entendermos que tudo mais é passageiro e ilusório! O único bem que falta a pena é presença do Pai. Em sua busca, o herói renuncia tudo que é terreno, pois sabe o verdadeiro valor de sua busca, assim sejamos nós também. Como disse John Piper, na presença de Deus há satisfação, prazer, alegria, contemplação, encantamento por trilhões de trilhões de eras! Lembremos que nosso verdadeiro tesouro é a presença de Deus e narra mais. E Deus é mais glorificado em nós, quando estamos mais satisfeitos nele! Através da glorificação de Deus, encontramos satisfação também!

Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita. Sl 16.11

Tudo isso encontramos na presença de Deus! Louvado seja o nome dele! Que entendamos isso, e sigamos no caminho em direção ao pai, buscando satisfação nele, e correndo ao encontro dele. Para finalizar, gostaria de deixar essa música dos irmãos Arrais, que fala também um pouco da nossa jornada como cristãos.

A excelência da busca pelo Pai

Podemos ter Paz com Deus?

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Sabemos que justificação resulta em santificação, não o contrário. Mas é normal que no nosso dia-a-dia nos esqueçamos disto e agirmos como se fosse o contrário, santificação resulta em justificação. Passamos a buscar estar em paz com Deus, como se fosse algo que dependesse de nós, algo conquistado por nossos esforços. Ao menos comigo foi assim.

Mas podemos realmente ter paz com Deus por nossos próprios esforços? Já falamos neste artigo sobre a condição do homem diante de Deus. Somos pecadores por natureza, nosso coração é cheio de desejos maus. Nada que façamos pode nos garantir paz com Deus, Ele é justo, a única certeza que temos por nossas obras é a ira de Deus (Rm 1.18, Rm 3.5). Assim, termos paz com Deus não é algo que possamos alcançar. Ao menos não por nós mesmos.

Mas o Senhor Jesus, que é o  Príncipe da Paz, em sua vida e morte provou, na verdade satisfez e cumpriu toda a justiça e ira de Deus por nós. Isso nos garante vida, salvação, comunhão com Deus e também paz com Deus! Rm 5.1, Rm 14.17, Cl 3.15.

Jesus é a nossa paz com Deus. É verdade que podemos ficar tristes pelos nossos pecados, na verdade isso é um sinal da presença de Deus em nossas vidas, a contrição pelo pecado. Mas não devemos pensar que precisamos fazer algo para compensar nossos erros e assim recuperar a paz com Deus, pelo contrário! Parte da nossa contrição deve ser pois apesar de termos paz com Deus ainda continuamos a pecar, a quebrar a lei de Deus!

Que vivamos sabendo disso, irmãos! Jesus é a nossa paz com Deus! O próprio fruto do Espírito é paz! Fruto gerado no cristão após o novo nascimento. Deixe-me dizer novamente para que você possa entender: Jesus é a nossa paz com Deus! Repeti isso para mim mesmo várias vezes até entender! Se for necessário, faça o mesmo! Isso aqui não é auto-ajuda, não estou vendendo uma ideia para você vencer na vida, ou algo do tipo! Não! É uma verdade bíblica, é o que Jesus conquistou para nós na cruz! Ef 2.14.

Já que ele é a nossa paz, que vivamos assim. Sabendo que não precisamos buscar a paz, pelo contrário, devemos viver com a confiança dessa paz. Fazendo tudo para a glorificação de Deus, I Co 10.31.

Podemos ter Paz com Deus?

Não Siga o Seu Coração

Esse artigo é mais uma tradução do blog Desiring God. Artigo original aqui.

“Siga o seu coração” é um credo abraçado por bilhões de pessoas. É uma afirmação de fé em um dos maiores mitos da cultura pop do mundo ocidental; um evangelho proclamando em muitas de nossas histórias, filmes e músicas.

Essencialmente, é uma crença de que seu coração é uma bússola dentro que você que lhe direcionará para o seu verdadeiro destino, se você tiver a coragem de segui-lo. Ela diz que seu coração é um guia verdadeiro que lhe levará à felicidade verdadeira se você tiver coragem de ouvi-lo. A crença diz que você esta perdido e que seu coração lhe salvará.

Esta crença pode soar tão simples e linda e libertadora. Para pessoas perdidas é um evangelho tentador a se acreditar.

É esse o líder que você quer seguir?

Até que você considere que seu coração tem tendências sociopáticas. Pense sobre isso por um momento. O que seu coração lhe diz?

Por favor, não responda.  Seu coração provavlemente disse coisas hoje que você não quererá repetir. Sei que o meu tem. Meu coração fala que todo tipo de realidade deve servir aos meus desejos. Também gosta de pensar o melhor de mim e o pior dos outros – a menos que esses outros pensem bem de mim, então eles são pessoas maravilhosas. Mas se eles não pensam bem de mim, ou até mesmo se discordam de mim, bem, então, há algo errado com eles. E enquanto meu coração está ponderando minhas virtudes e os erros de outros, ele pode achar um pensamento imoral ou horrivelmente irritante muito atrativo.

A crença “siga o seu coração”  certamente não é encontrada na Bíblia. Na verdade, a Bíblia diz que nosso coração tem uma doença: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?” (Jeremias 17:9). Jesus, o grande médico, lista os severos sintomas desta doença: “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias” (Mateus 15:19). Essas não são qualidades de um líder.

A verdade é que, ninguém mente tanto para nós quanto nossos próprios corações. Ninguém. Se eles são bússolas, são a bússola do Jack Sparrow. Não nos contam a verdade, apenas nos contam o que queremos ouvir. Se são guias, eles são como a Gothel. Eles não são benevolentes, são patologicamente egoístas. De fato, se fizermos o que nossos corações dizem para fazermos iremos perverter e empobrecer cada desejo, cada beleza, cada pessoa, cada maravilha, cada alegria. Nossos corações querem consumir estas coisas para nossa própria glória e auto-indulgência.

Não, nossos corações não vão nos salvar. Pelo contrário, precisamos ser salvos dos nossos corações.

Este é o Líder que Você quer Seguir

Nossos corações não foram feitos para serem seguidos, mas para serem liderados. Não foram feitos para serem deuses em quem acreditar; foram feitos para acreditar em Deus.

Se fizermos nossos corações de deuses e pedirmos a eles para nos liderarem, eles nos levarão à miséria narcisística e condenação final. Eles não podem nos salvar, pois o que está errado com os nossos corações é o coração do problema. Mas se nossos corações acreditam em Deus, como foram criados para, então Deus nos salva (Hebreus 7.25) e leva nossos corações à alegria plena (Salmo 43.4).

Portanto, não acredite em seu coração; direcione seu coração a acreditar em Deus. Não siga seu coração; siga a Jesus. Note que Jesus não disse aos seus discípulos, “não se perturbe o coração de vocês, apenas acreditem em seus corações” Ele disse, “”Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim.” (João 14:1)

Então, mesmo que seu coração queira guiar você hoje, não o siga. Ele não é um pastor. Ele é uma ovelha pomposa que, devido ao pecado, tem algumas características de lobo. Não o siga, e tenha cuidado até de ouvi-lo. Lembre-se, seu coração apenas diz a você o que você quer ouvir, não aonde você deveria ir. Então ouça-o apenas para anotar o que ele está dizendo sobre o que você quer e então pegar seus desejos, bons e maus, e levá-los a Jesus, os maus como confissões e os bons como pedidos.

Jesus é o seu pastor, (Salmo 23; João 10). Ouça sua voz e sua palavra e siga-o (João 10.27). Deixe ele ser, nas palavras de um hino, o “coração do seu próprio coração não importa o que aconteça”. Ele é a verdade; Ele é o caminho e Ele te levará à vida. (João 14.6).

Não Siga o Seu Coração

Obsessão pelo Facebook e a angústia do tédio

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Esse artigo é uma tradução do seguinte artigo em inglês:

Facebook Obsession and the Anguish of Boredom

Do blog do site Desiring God, do ministério do pastor John Piper, que já tem anos de experiência na luta pelo Evangelho. A intenção aqui é de traduzir os excelentes textos deste blog para o português, para que assim mais pessoas possam ter suas vidas abençoadas pelo ministério Desiring God.

O Facebook nunca foi tão viciante.

Em 2013, 63% dos usuários do Facebook acessavam o site diariamente. Em 2014, o número cresceu para 70%. Se você acessa seu Facebook todos os dias, então você faz parte dos 864 milhões de pessoas que tem a mesma rotina compulsiva.

Para muitos de nós, o Facebook é um tipo de vício, um hábito padrão que está mudando nosso cérebro.

Ofir Turel, um psicólogo da Cal State Fullerton, publicou uma pesquisa que comprova isso. Para provar seu argumento, ele diz que viciados em Facebook ao dirigirem um carro estão mais aptos a responderem mais rápido uma nova notificação no celular do que o que acontece na rua. “Este é o poder do Facebook”, ele diz.

Turel é co-autor de um estudo mostrando que vício pelo Facebook ativa impulsos nas mesmas áreas do cérebro que vício em drogas, mas com uma diferença significativa. Viciados em Facebook, ao contrário de usuários de drogas compulsivos, “tem a habilidade de controlar seu comportamento, mas não tem a motivação para controlá-lo pois não veem as consequências como sendo tão sérias”, ele escreve.

Muitos de vocês usam Facebook e Twtter por motivos nobres, e isto deve ser aplaudido. Muitos de vocês estão lendo este post por causa do Facebook. Mas a realidade auto-evidente é que dependência do facebook, como muitas outras, é induzida pelo tédio. O Facebook é um lugar para ir quando a vida fica sem graça, um caça-níquel digital em que apostamos para ganhar notícias interessantes ou vídeos engraçados. Ele é feito para isso.

Para muitos usuários, ele é o objeto que usamos para satisfazer nosso tédio induzido por distração e vício, em inglês: Boredom-Induced Distraction-Addiction (BIDA). Aqui é onde as coisas se tornam problemáticas. Dependência não saudável pelo Facebook começa porque falhamos pra ver seu preço em nossas vidas. Então quais as consequências de comportamentos compulsivos induzidos pelo tédio? Aqui estão três para considerarmos.

1. Vício em Facebook reprime oração.

Parece não haver estudo comparando a quantidade de tempo gasto em redes sociais à satisfação de alguém em sua vida de oração, mas tudo indica que há um problema surgindo ali.

Recentemente perguntei a Tim Keller, pastor e autor do novo best-seller sobre oração, o quanto a falta de oração tem se crescido. “Isso é meio engraçado, mas todo mundo com quem falo e parece tão ocupado, e está se comunicando tão incessantemente o tempo todo, que eu acho que cada vez mais há mais falta de oração, menos e menos tempo onde as pessoas vão para um local a sós para orarem. Tenho certeza que nós oramos menos do que no passado”. E o que isto diz sobre sua saúde espiritual? “Nossa saúde espiritual”, ele respondeu honestamente, “está em queda livre”.

Quando a vida fica entediada, nós nos voltamos cada vez mais a surpresas (e diversões) no nosso newsfeed, não à oração.

2. Dependência do Facebook nubla nossa auto-percepção.

Segundo, BIDAs (referência so termo em inglês, um vício procurado por pessoas entediadas) como o Facebook nublam nossa auto-percepção. Esta foi a ideia do matemática do século 17, Blaise Pascal. Quando observava os jovens de sua época, ele notou que se você “tirasse a diversão deles, iria vê-los cada vez mais fatigados” pois “é, de fato, tornar-se infeliz… assim que você é obrigado a pensar sobre si mesmo e não ter nenhuma diversão.”

Falta de distração e silêncio vem com um peso que tentamos aliviar com coisas fúteis, Pascal disse. E somos tão atraídos e distrações como o Facebook, para nos divertirmos, nos envolvermos, nos expressarmos – qualquer coisa para quebrar o peso do silêncio.

Depois, Pascal escreve, “nada é tão insuportável ao homem como estar completamento em descanso, sem paixões, sem trabalho, sem diversão, sem estudo. Ele então sente o quão insignificante é, o quão solitário é, sua insuficiência, dependência, fraqueza e vazio. Imediatamente surgirá do profundo de seu coração uma fadiga, melancolia, tristeza, mau-humor, vexação, desespero.”

Sem solidão disconectada, não podemos sentir o peso de nossas necessidades; nem provar o sabor do nosso desespero por Deus. O peso do tédio tem a intenção de nos mostrar nossa insuficiência e nos acordar para o quanto precisamos de graça.

3. Dependência do Facebook nos blinda para o que é realmente belo.

Como os estrategistas do Facebook sabem bem, seres humanos não podem estar em paz com a monotonia. Tente. Seu coração não te dará paz.

Não fomos criados para vivermos uma vida de tédio. Nosso tédio é consequência do pecado, nossos pecados, e nosso tédio sem descanso eventualmente nos tornará sensivelmente vulneráveis ao fascínio de distrações bobas e atrações corruptas.

Sam Storms escreve, “Tédio é o contrário do natural, dado por Deus, impulso para fascinação excitação, prazer  e alegria” Ele avisa, quando encarado por uma vida entediante ou você morre emocionalmente ou “corre imprudentemente para qualquer emoção extrema e entediante que você possa encontrar para substituir sua miséria com prazer, seja pornografia, adultério, drogas ou fantasias de fama e poder.” Ou em seu tédio você vai se ocupar com distrações que são tão fúteis para entretenimento e o caça-níquéis digital chamado Facebook.

Como respondemos ao tédio diz muito sobre nossos corações e explica porque tendemos a estilos de vida e hábitos viciantes, escreve Sam Storms.

  • Muitas pessoas que caem em vícios pecaminosos são pessoas que se tornaram totalmente entediadas. A razão que torna o vício tão poderoso é que ele toma o lugar em nosso coração que foi feito para comunhão espiritual. Esses hábitos viciantes enfadam e amortecem nossos anseios por uma satisfação que tememos nunca encontrar, ou então proveem uma realização falsificada que nós pensamos que nos trará uma felicidade a longo prazo – falsificações como cocaína, exagerar sempre nas reações, romances ilícitos, negócios, eficiência, imagem, ou obsessão com beleza física. Todos eles encontram poder na inescapável no anseio do coração humano para ser fascinado e satisfeito e encantado. Nossos corações irão invariavelmente nos levar ou aos prazeres do vício ou a Deus.

Esta mesma sedução está por trás dos “grandes” vícios, dos “pesquenos, e de cada vício entre os dois. Nas palavras de um velho ditado, “mente vazia é oficina do diabo”. Mas mais profundamente, os entediados são mais fáceis de estarem em paz com o pecado. Qualquer distração temporariamente alivia nosso tédio e se torna um relaxamento em nossos princípios. Este é o problema.

A Cura Para o Nosso Tédio

Para criaturas como nós, criadas para adorar a glória, devemos encontrar um objeto digno de nossa adoração. A cura para o tédio não é diversão ou distração, mas substantiva satisfação, diz John Piper. Temos de encontrar a Deus “sendo intelectualmente e emocionalmente estonteante na infinita, sem fim, imutável supremacia de Cristo em todas as coisas.”

O que significa que tentar silencias nosso tédio com o hábito compulsivo de ligar a máquina de caça-níquéis chamada Facebook é um hábito que pode ser mudado. Mas isto somente irá acontecer se nossa visão admirada de Deus é grande o suficiente para vê-lo como a pura beleza e “infinitamente criativo”, tão criativo, que para aqueles que o adoram, diz John Piper, “não haverá tédio paras os próximos trilhões de milênios.” Ao final do artigo original há uma seção com artigos similares, em inglês. Vale muito a pena visitar o site e ter a vida edificada através desses artigos excelentes.

Obsessão pelo Facebook e a angústia do tédio

A alma que pecar, essa morrerá

Ou na NVI, que é a versão que geralmente uso aqui, “aquele que pecar é que morrerá” (Ez 18.20). Que verdade terrível. Não é aquele que pecar muito, nem aquele que pecar a vida toda. Ou aquele que cometer um tipo específico de pecado, ou aquele que repete muito o mesmo pecado. Não! É aquele que pecar! Pensando sobre a justiça de Deus e o quanto sou pecador, imagino-me prostrado, nu, com a espada do juízo de Deus me atravessando, afinal, para onde fugiria eu do Senhor? (Sl 139.7)

Gostaria de neste post falar um pouco sobre a pecaminosidade do homem e, se possível, arrancar a imagem que temos de que somos bons, ou justos, ou até mesmo que merecemos a salvação. Davi, entendeu bem isto e escreveu:

Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Sl 51.3

Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me.
Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe. Sl 51.4,5

Agora, nossas desculpas começam a se esvair perante Deus. Pois já nascemos debaixo de pecado, em Gênesis 6 vemos um relato onde Deus fala que tudo que o homem deseja é voltado para o mal, Gn 6.5. Tudo que o homem faz é mal, seus desejos são voltados para o pecado, suas intenções são pecaminosas. E Deus é Santo.

A origem da palavra santo significa separado do uso comum, Deus está muito acima da humanidade, é verdade que Ele a tudo criou e é imanente em toda a sua criação, não é que Deus esteja em tudo e tudo seja Deus. Mas é como os anjos disseram na visão do profeta Isaías, que trataremos mais tarde, toda a terra está cheia da glória do Senhor. O padrão que Deus estabelece é muito alto. A lei moral de Deus está estabelecida através dos Dez Mandamentos, lá Deus mostra o que Ele requer da humanidade, mas mesmo antes a humanidade desafiou a Deus. Desde Adão e Eva. Satanás enganou a Eva dizendo que ela seria igual a Deus, e o pecado nada mais é do que isso. Achar que somos suficientes em nós mesmos, o pecado é um ato de rebeldia e arrogância diante de Deus, quando peco estou dizendo a Deus que não preciso d’Ele, ah, irmãos, como isso me dói! Saber o quão pecador eu sou, o quão podre sou. E Deus ainda assim tem o seu padrão, pois Ele é justo, Deus é o Juiz Justo por excelência! Ora e Deus sendo justo, não pode condenar o ímpio com o justo.

Absolver o ímpio e condenar o justo, são coisas que o Senhor odeia. Pv 17.15

E, “se ao justo é difícil ser salvo, que será do ímpio e pecador? “ I Pe 4.18

O Senhor prova o justo, mas o ímpio e a quem ama a injustiça, a sua alma odeia. Sl 11.5

E como esse último texto é ainda mais severo, Deus odeia o ímpio! Ora, “Deus ama o pecador e odeia o pecado”! Mentira! Deus odeia o pecador! Sim, Deus odeia o pecador, isso mesmo. Ainda mais um texto:

Diz o tolo em seu coração: “Deus não existe”. Corromperam-se e cometeram atos detestáveis; não há ninguém que faça o bem.
O Senhor olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus.
Todos se desviaram, igualmente se corromperam; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. Sl 14.1-3

Paulo repete esse texto em Romanos 3.10-12. Todos se perderam, nenhum faz o bem, são todos pecadores e Deus odeia a todos. Como disse Jonathan Edwards, a ira de Deus está pronta para ser derramada sobre a humanidade! Duvido muito que alguém tenha coragem de se justificar, ou de procurar mostrar méritos diante de Deus. Todas nossas obras de justiça são como trapos de imundícia diante de Deus, Is 64.6. Trapos de imundícia eram as roupas sujas da mulher durante a menstruação, que de acordo com a lei cerimonial de Israel, era considerada impura, diante de Deus. O que Isaías viu é que o nosso melhor ainda é sujeira diante de Deus, pois nós somos sujos. Uma pessoa que esteja suja de lama, aonde tocar sujará de lama, assim somos nós, sujos no lamaçal de nossos pecados! Mesmo em nossos melhores dias, tudo o que fazemos é quebrar a lei de Deus.  Não há com o que se defender, não há para onde fugir, os olhos de Deus estão em toda a terra. Ele é o justo juiz a quem todos prestarão contas um dia. E como nós devemos, sim, nossa dívida é imensa diante de Deus. É uma vida cheia de pecados, cheia de sujeira, cheia de imoralidade. Que pode até passar impune nesta vida, mas um dia todos prestarão contas diante de Deus.

Para terminar, gostaria de deixar um texto aqui, que é o que aconteceu com o profeta Isaías quando teve uma visão do Senhor:

No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo.
Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, e com duas voavam.
E proclamavam uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”.
Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça.
Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos! “ Is 6.1-5

Quando um bom rei de Judá morreu, talvez Isaías estivesse preocupado em quem governaria a nação, seria um rei injusto? Seria um rei temente a Deus? Mas ele teve a visão do Rei dos Reis em seu trono. E logo após clama um contra si mesmo, o ai era uma pronunciação do juízo de Deus sobre alguém dado por um profeta, contra uma pessoa, um povo, uma nação. Mas Isaías clamou para si, ele se percebeu pecador, sem nada a oferecer a Deus. Ele se sentiu perdido, clamou maldição a si mesmo! Viu seu pecado e viu que estava arrodeado de pecadores. Este é um dos retratos mais vívidos de consciência de pecados e conversão de pecador na Bíblia! Sim, Deus salva pecadores. Como disseram os irmãos reformados, Sola Gratia, ou somente a Graça. Ou como Paulo escreve citando Habacuque, o justo viverá pela fé. Eis a esperança de pecadores miseráveis do favor de um Deus que não lhes deve nada. Mas como é este favor? Afinal, aquele que pecar é esse que morrerá! Bem, discorreremos sobre isso no próximo post, Sola Gratia ou, o justo viverá pela fé.

A alma que pecar, essa morrerá

Uma imagem moderna sobre Deus

Nessa artigo, meus irmãos gostaria de discorrer um pouco sobre a imagem de Deus que muitas pessoas tem, independente de suas denominações, é verdade que essa imagem é bastante forte entre os carismáticos, mas não penso ser apenas com eles. Após isto, gostaria de contrastar com a Bíblia. Então, vejamos algumas dessas características:

Deus seria incoerente

Isso mesmo, Deus parece ser incoerente.  Mas por quê? A Bíblia é a revelação de Deus, onde nós aprendemos sobre o caráter de Deus e o que Deus requer de nós, Mq 6.8. Sabemos ainda que ela é inspirada por Deus, para tornar o homem de Deus perfeito II Tm 3.16, 17. (Apesar de que nesse texto, Paulo se referia apenas ao Antigo Testamento, que era o que estava escrito na época de Timóteo, mas por fé, entendemos que o Novo Testamento também é inspirado e é a Palavra de Deus revelada a nós).

Ora, mas até aí, nenhuma incoerência! Justamente, a incoerência esta no fato de Deus ter revelado sua Palavra a nós, para nos conduzir à santidade, para lhe emularmos o caráter e alguns cristãos acreditam ainda que Deus ainda fala através de pessoas hoje em dia, entregando novos oráculos e revelações. Eis a incoerência, se Deus usou seus servos para nos transmitirem sua Palavra expressa e concluiu essa obra, é por que para Deus a obra estava perfeita e mais do que suficiente, pois sabemos que em Deus não há engano (Nm 23.19), afinal, não fosse a Bíblia suficiente, poderíamos atribuir má fé e engano a Deus, mas Deus é santo e n’Ele não há engano. Logo, sua Palavra é mais do que suficiente para guiar o homem durante toda sua vida. Portanto, se Deus deu sua revelação como encerrada, como Ele ainda se revelaria hoje em dia? Um dos lemas da reforma protestante é Sola Scriptura, que significa a suficiência das Escrituras, nela podemos encontrar tudo o que precisamos para viver nossas vidas. Então, alguns cristãos até confessam nominalmente a suficiência das Escrituras, mas ao buscar oráculos além delas, negam-lhe a suficiência, e na verdade, a incoerência está neles.

Deus não é Soberano

Esse, também é bem recorrente. A expressão máxima dele é “vontade permissiva de Deus”, ou seja, Deus não queria que algo acontecesse, mas permitiu. Essa figura parece mais a do pai condescendente do que a de um Deus Soberano que está acima de tudo e de todos. Ora, Jó afirma que Deus pode tudo, isto é, é Todo-Poderoso, e que nenhum de seus propósitos pode ser impedido, Jó 42.2.  Ainda, Deus faz tudo o que lhe agrada, Sl 115.3. Deus é imutável, sabe tudo, inclusive todo o futuro e cumpre todos os seus propóstos, Is 46.9,10.  Isto também contraria o teísmo aberto, no qual Deus não sabe o futuro. Muito pelo contrário, Deus é Soberano, mas as pessoas parecem não entender o que isso significa, significa que Deus é Rei acima de tudo e de todos e que sua vontade é absoluta, Sl 103.19, Sl 135.6, Pv 19.21, Pv 21.30. E por último, Salomão ainda afirma que Deus criou tudo de acordo com o seu propósito, até o perverso para o dia da calamidade, ou o ímpio para o dia do castigo, Pv 16.4. Ora, ainda há muitos mais textos na Bíblia afirmando a soberania de Deus! E veja que Deus grande e glorioso é o que nos salvou e redimiu! Glória ao seu nome, afinal, para Ele são todas as coisas, Rm 11.36. Logo, tudo que ocorre é de acordo com a expressa vontade de Deus, nada acontece fora de sua vontade ou desígnios soberanos. Uma música do cantor João Alexandre se refere a Deus como um tapeceiro e a vida como uma obra de tapeçaria, ora, Deus é o tapeceiro e que faz a obra como sua vontade e de forma com que lhe agrade! Aleluia! Quão imenso é este Deus!

Portanto, irmãos sigamos em dedicação à leitura da Bíblia, pois é através dela que aprendemos sobre Deus, este Deus tremendo conforme acabamos de ver e aprendemos também o que Ele requer de nós.

Uma imagem moderna sobre Deus

“Cristianismo” irracional

Gostaria de começar esse texto com uma citação retirada do livro “Filosofia e Cosmovisão Cristã”, J. P. Moreland, W. L. Craig:

Devo ser franco com vocês: o antiintelectualismo é o maior perigo que o cristianismo evangélico americano enfrenta. A mente, compreendida em suas maiores e mais profundas faculdades, não tem recebido suficiente atenção. No entanto, a formação intelectual não ocorre sem uma completa imersão, durante anos, na história do pensamento e do espírito. Os que estão com pressa de sair da universidade e começar a ganhar dinheiro, trabalhar na igreja ou pregar o evangelho não tem ideia do valor infinito de gastar anos dedicados à conversação com as maiores mentes e almas do passado, desenvolvendo, afiando e aumentando o seu poder de pensamento. O resultado é que o terreno do pensamento criativo é abandonado e entregue ao inimigo. Quem, entre os evangélicos, pode enfrentar os grandes pensadores seculares em seus próprios termos acadêmicos? Quem, entre os estudiosos evangélicos, é citado pelas maiores autoridades seculares como fonte normativa de história, filosofia, psicologia, sociologia ou política? O modo evangélico de pensar tem uma mínima oportunidade de se tornar dominante nas grandes universidades da Europa e da América que modelam toda a nossa civilização com seu espírito e suas ideias? Por uma maior eficácia no testemunho de Jesus Cristo, bem como em favor de sua causa, os evangélicos não podem se dar ao luxo de continuar vivendo na periferia da existência intelectual responsável.

 

Há algum tempo faço alguns questionamentos, entre eles sobre o “cristianismo “moderno”, mas aí, lendo sobre santos piedosos do presente e do passado, vejo que eles também fazem tais questionamentos e põem em cheque o que chamei de “cristianismo” “moderno”. Não que eu seja alguma coisa, muito pelo contrário, sem cinismo algum, sei que sou pecador, que no maior de meus esforços o que posso produzir algo que quebra as leis de Deus e que preciso dele em todas as áreas de minha vida. Também reconheço como os cristãos pré-reforma, os reformados do passado e do presente que a Bíblia é mais que suficiente como regra de fé e prática para a vida do homem.

Mas esse “cristianismo” “moderno” parece ser tão distante do que deveria ser, ele é tão pífio, tão cínico, tão orgulhoso, onde as pessoas muitas vezes buscam mestres para se satisfazer (II Tm 4.3), deixando a Bíblia de lado. Outras vezes, colocando temas secundários como principal, deixando a cruz de Cristo como coadjuvante. Um cristianismo midiático, das tendas dos milagres, do jejum miraculoso, disso e daquilo outro.

Ora, mas qual o problema desse cristianismo? Veja por exemplo a bancada “evangélica”, porque essa bancada não consegue sucesso em temas de ética cristã como aborto, eutanásia e tantas outras coisas? Ora, é complicado muitas vezes de se haver até um debate, você vê pessoas totalmente destreinadas, sem a mínima capacidade de argumentação, muitas vezes não aceitando o debate e usando apela à autoridade ou até ataques pessoais. Muitas vezes seus argumentos deveras rasos são desprovidos até de base bíblica. E parece não haver uma preocupação com isto! Mas o que Pedro diz em uma de suas epístolas:

Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês

1 Pedro 3:15

Ora, mas não deveríamos estar prontos para responder tais perguntas? E como respondê-las e tantas outras sem reflexão, sem um estudo dedicado da Bíblia e dos livros ortodoxos que nos ajudam em nossos estudos das Escrituras?! O que se vê é um cristianismo que se baseia demais em emoção, que deixa o intelecto de lado, mas o nosso culto não deveria ser racional (Rm 12.1-2), o temor do Senhor não é o princípio da sabedoria? Então, por que esse cristianismo moderno relega tanto isso? Qualquer pessoa que leia os evangelhos, vai ver que Jesus sabia argumentar contra todos os seus acusadores e deixava-lhes sem argumentos frequentemente. Mas não para por aí, no livro de atos os apóstolos argumentavam em seus sermões de acordo com as Escrituras, Paulo foi acusado por Festo de estar enlouquecendo por muito estudar.

Aqui cabe momento para a reflexão, como o cristianismo vai conseguir defender dos ataques do mundo? Como poderemos defender nossa fé? Como poderemos argumentar a favor de um Deus soberano e de sua graça revelada aos pecadores eleitos? Como destruiremos todo argumento e pretensão que levante contra o conhecimento de Deus? (II Co 10.5) Ora, a solução é somente uma, a renovação de nossa mente, uma vida dedicada à palavra de Deus, sabendo que ela e somente ela é nossa regra de fé e prática.

O cristianismo verdadeira, não é moderno, ele foi instituído por Jesus e os apóstolos, ele é um cristianismo pronto para se defender, mas também para avançar, sem medo e preparado para enfrentar qualquer dificuldade em qualquer terreno em que esteja, muito diferente do “cristianismo” praticado em tantas igrejas e pessoas nos tempos hodiernos.

“Cristianismo” irracional