Teoria do arrebatamento parcial

Amados, já falamos aqui sobre os sinais do arrebatamento. Hoje, através deste post gostaria de meditar um pouco sobre uma teoria bem recorrente, a do arrebatamento parcial. Basicamente, o que os defensores de tal teoria afirmam é que é necessário atingir um certo grau de maturidade espiritual para poder participar do arrebatamento. Vejamos, então o que podemos extrair de tal teoria das Escrituras Sagradas.

Gostaria de citar aqui o que J. Dwight Pentecost escreve para definir tal teoria:

  • Argumenta-se que nem todos os crentes serão levados na translação da igreja, mas apenas os que estiverem “vigiando” e “esperando” por esse acontecimento, que tenham atingido certo nível de espiritualidade que os torne dignos de ser incluídos[…] A posição do arrebatamento parcial está baseada numa interpretação errônea do valor da morte de Cristo para libertar o pecador da condenação e torná-lo aceitável a Deus.¹

Aqui já vemos Pentecost falando que essa teoria surge de uma interpretação errônea das Escrituras, de textos como Tito 2.13, Filipenses 3.20, II Timóteo 4.8, Hebreus 9.28, conforme cita o próprio Pentecost². A ideia é expressada bem na máxima “Jesus vem buscar um povo zeloso e de boas obras”. Ou “prepara-te”, entre tantas outras do tipo. A ideia é sempre que o cristão tem de estar preparado e sempre esperando a volta de Cristo, buscando o aperfeiçoamento pessoal através de uma vida de santificação, afinal, sem esta, ninguém verá ao Senhor, Hebreus 12.14. A questão é, então, aqueles que não atingirem uma certa cota inferior de maturidade espiritual não estariam prontos ao arrebatamento, logo, não participariam deste evento. Portanto, as obras do cristão já passam a desempenhar papel importante em termos de sua salvação, afinal, o arrebatamento é uma consequência da salvação, já que só os salvos participarão de tal evento, I Coríntios 15. Mas então, uma tal pessoa que não seria arrebatada, por não atingir o “mínimo de santidade requerido” vindo a morrer, na ocasião do arrebatamento, ela seria ressuscitada ou não?

Gostaria de trazer mais uma citação para expor as dificuldades para apoiar tal teoria:

  • Esta doutrina está ligada a três palavras do Novo Testamento: propiciação, reconciliação e redenção. Com respeito à propiciação, Chafer escreve:
  • Cristo, ao derramar seu próprio sangue, como se aspergido, sobre o Seu corpo no Gólgota, torna-se na realidade o Propiciatória. Ele é o Propiciador e fez propiciação ao suprir dessa maneira as justas exigências da santidade de Deus contra o pecado, de tal maneira que o céu se tornou propício[…]
  • Com respeito à reconciliação, o mesmo autor diz:
  • Reconciliação significa que alguém ou algo é totalmente mudado e ajustado a algo que é um padrão, como um relógio pode ser ajustado a um cronômetro […] Por meio da morte de Cristo em nosso lugar, o mundo inteiro está totalmente mudado no seu relacionamento com Deus […] O mundo está tão alterado na sua posição com respeito aos santos julgamentos de Deus por meio da cruz de Cristo que Deus não está mais atribuindo-lhes seu pecado. O mundo então é declarado redimível […]
  • Com respeito à redenção, ele escreve:
  • A redenção é um ato de Deus pelo qual Ele mesmo paga como um resgate o preço do pecado humano que insultou a santidade e o governo que Deus exige. A redenção oferece a solução ao problema do pecado, como a reconciliação oferece a solução do pecador, a propiciação oferece a solução ao problema do Deus ofendido[…]
  • O resultado desse tríplice trabalho é uma salvação perfeita, por meio da qual o pecador é justificado, torna-se aceitável a Deus, é colocado em Cristo posicionalmente para ser recebido por Deus como se fosse o próprio Filho. O indivíduo que tem essa posição com Cristo jamais pode ser algo menos que completamente aceitável a Deus.²

Ora, vemos aqui já que essa doutrina não consegue se sustentar mesmo frente à uma observação rápida da obra salvadora de Cristo, que é final, Hebreus 9.28. Ora, mas eu ainda gostaria de examinar um texto do Antigo Testamento, baseado no que Paulo diz:

Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo. Cl 2.17

Vejamos o seguinte texto:

“Diga a Arão: Pelas suas gerações, nenhum dos seus descendentes que tenha algum defeito poderá aproximar-se para trazer ao seu Deus ofertas de alimento.
Nenhum homem que tenha algum defeito poderá aproximar-se: ninguém que seja cego ou aleijado, que tenha o rosto defeituoso ou o corpo deformado;
ninguém que tenha o pé ou a mão defeituosos,
ou que seja corcunda ou anão, ou que tenha qualquer defeito na vista, ou que esteja com feridas purulentas ou com fluxo, ou que tenha testículos defeituosos.
Nenhum descendente do sacerdote Arão que tenha qualquer defeito poderá aproximar-se para apresentar ao Senhor ofertas preparadas no fogo. Tem defeito; não poderá aproximar-se para trazê-las ao seu Deus.
Poderá comer o alimento santíssimo de seu Deus, e também o alimento santo;
contudo, por causa do seu defeito, não se aproximará do véu nem do altar, para que não profane o meu santuário. Eu sou o Senhor, que os santifico”.
Levítico 21:17-23
Vemos nele que Deus proíbe os sacerdotes que possuem alguma deformidade física de o servirem no Templo, pois Deus é santo. Ora, a igreja é o corpo de Cristo e como tal, ficaria desmembrado por ocasião das pessoas que não atingissem o “grau mínimo de santificação” não participarem do arrebatamento, sendo, portanto, imperfeito, e como tal, incapaz de servir a Deus e ter comunhão com Ele, benção que estão reservadas ao povo de Deus, conforme I Coríntios 13.12, I João 3.2, Ap 22.3. Portanto, tal doutrina nega a unidade do corpo de Cristo I Coríntios 12.12, 13.
Uma última citação, que também responde à questão que fiz acima:
  • O parcialista precisa negar a totalidade da ressurreição dos crentes na translação. Já que nem todos os santos poderiam ser arrebatados, logicamente nem todos os mortos em Cristo poderiam ser ressurretos, visto que muitos deles morreram em imaturidade espiritual. Mas, já que Paulo ensina que “transformados seremos todos”, e que todos “os que dormem” Deus trará (1Co 15.51,52; 1Ts 4.14), é impossível admitir uma ressurreição parcial.³
Ora, temos ainda na Bíblia um contra-exemplo de tal doutrina, o ladrão da cruz não teve tempo de atingir uma maturidade espiritual requerida, já que morreu no mesmo dia em que conheceu o Senhor Jesus, contudo, as palavras de Jesus para ele foram:
Jesus lhe respondeu: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso”. Lucas 23.43
Vemos que o ladrão da cruz estaria na presença de Jesus naquele mesmo dia no paraíso, ora, se ele estaria com Jesus, no paraíso não participaria ele do arrebatamento da igreja?! Então, irmãos, vemos que a vontade de Deus, é que os salvos não se percam e sejam ressuscitados por Jesus, conforme João 6.37-40. O que não exclui, claro, o fato de que o cristão busque viver uma vida de santidade diante de Deus e espere ansioso pelo sublime dia, I Ts 4.13-18.
¹ J. Dwight PENTECOST, Manual de Escatologia, Editora Vida, p184-186
² Idem
³ Ibidem
Referências:
J. Dwight PENTECOST, Manual de Escatologia, Editora Vida
Teoria do arrebatamento parcial

Os sinais do arrebatamento

Amados, volta e meia surgem visões, sinais, cumprimentos dos tempos, mas uma pergunta que gostaria de fazer e tentar responder é: Jesus nos deixou sinais sobre o arrebatamento? Para responder a esta pergunta, devemos começar entendendo a diferença entre o arrebatamento e a segunda vinda de Cristo, já que parece haver certa confusão sobre os dois eventos.

Comecemos pelo arrebatamento, ou translação da igreja, o que é? Vejamos alguns textos bíblicos para tentar trazer luz sobre o assunto:

Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar.
E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.
João 14:2-3

Ele os manterá firmes até o fim, de modo que vocês serão irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
1 Coríntios 1:8

Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna no céu, não construída por mãos humanas.
Enquanto isso, gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação celestial,
porque, estando vestidos, não seremos encontrados nus.
Pois, enquanto estamos nesta casa, gememos e nos angustiamos, porque não queremos ser despidos, mas revestidos da nossa habitação celestial, para que aquilo que é mortal seja absorvido pela vida.
Foi Deus que nos preparou para esse propósito, dando-nos o Espírito como garantia do que está por vir.
Portanto, temos sempre confiança e sabemos que, enquanto estamos no corpo, estamos longe do Senhor.
Porque vivemos por fé, e não pelo que vemos.
Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor.
Por isso, temos o propósito de lhe agradar, quer estejamos no corpo, quer o deixemos.
2 Coríntios 5:1-9

A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, para serem semelhantes ao seu corpo glorioso.
Filipenses 3:20-21

Vemos, então, clara referência à translação da igreja e ao seu encontro com o Senhor Jesus.

Gostaria de fazer referência a Pentecost, ele escreve:

Seria bom, neste momento, apresentar as várias palavras usadas no Novo Testamento em relação ao segundo advento de Cristo: parousia, apokalupsis e epiphaneia. Embora essas palavras sejam muitas vezes consideradas técnicas, com designações específicas, Walvoord escreve:

I. PAROUSIA

A palavra mais frequentemente usada nas Escrituras em referência ao retorne de Cristo é [parousia] […] ela ocorre 24 vezes no Novo Testamento numa variedade de conexões. Como a sua etimologia indica, a palavra significa estar perto ou ao lado […] Ela envolve tudo o que a palavra portuguesa presença denota […] Passou a significar não só presença, mas o ato pelo qual a presença é realizada, i.e., a vinda do indivíduo.
Um breve resumo de seu uso no Novo Testamento inclui […] I Coríntios 16.17[…] II Coríntios 7.6, 7 […] Filipenses 1.26 […] II Tessalonicenses 2.9 […] Todos são forçados a concordar que esses casos são gerais e não técnicos.
[…] O fato de que é usada frequentemente com relação ao arrebatamento da igreja é claro nas seguintes referências (I Co 15.23; I Ts 2.19; 4.15; 5.23; II Ts 2.1; Tg 5.7,8 […])
No entanto, a palavra também é usada com relação ao retorno de Cristo à terra com a igreja em várias passagens (Mt 24.3,27,37,39; I Ts 3.13; II Ts 2.8; II Pe 1.16) […]
É inevitável concluir que a mesma palavra é usada em todas essas passagens em sentido geral e não específicos. Sua contribuição à doutrina é realçar a presença corporal de Cristo. […]

II. APOKALUPSIS

A segunda palavra importante para a vinda de Cristo […] [apokalupsis] ocorre […] 18 vezes na forma de substantivo, 26 vezes na forma de verbo. Ela é obviamente derivada de […] [apo] e… [kalupto], a última significando cobrir, ou esconder, e com o prefixo, descobrir ou desvendar, e assim, revelar […]
Uma pesquisa daquelas passagens em que a palavra é usada em relação a Cristo demonstra que em várias ocorrências ela é usada para descrever a segunda vinda de Cristo (I Pe 4.13; II Ts 1.7; Lc 17.30) […]
Em outras passagens, todavia, ela é claramente usada com referência à vinda de Cristo nos ares para buscar a igreja (I Co 1.7; Cl 3.4; I Pe 1.7,13) […]
A doutrina em jogo no uso da palavra em relação a Cristo é uma ênfase na manifestação futura da glória de Cristo […]

III. EPIPHANEIA

A terceira palavra usada para o retorno de Cristo é […] [epiphaneia] […] [epi] e [phanes]. O significado de trazer à luz, fazer brilhar, mostrar, é encontrada de Homero em diante (Thayer). A adição da preposição dá a ela um significado intensivo […] ela é usada para a primeira vinda de Cristo à terra em Sua encarnação (Lc 1.79; II Tm 1.10) […]
Quando empregada em referência ao retorno do Senhor, em dois casos ela se refere ao arrebatamento da igreja, e em dois casos parece referir-se à segunda vinda de Cristo […] parece sã exegese classificar I Timóteo 6.14 e II Timóteo 4.8 como referência ao arrebatamento […]
Em II Timóteo 4.1 e Tito 2.13, no entanto, parece haver referência à Sua segunda vinda […] A ênfase dada à verdade no uso de […] [epiphaneia] serve para assegurar que Cristo realmente aparecerá, será reconhecido e manifesto de maneira visível.¹

¹J. Dwight PENTECOST, Manual de Escatologia – Uma análise detalhada dos eventos futuros.

Depois dessas definições mais técnicas, vejamos então um pouco mais da diferença entre o arrebatamento da igreja e o segundo advento de Cristo. O arrebatamento, entende-se como a translação da igreja para encontrar o Senhor Jesus nos ares, já o segundo advento será a manifestação visível do Senhor Jesus, com a igreja, ao mundo.
Então, voltamos à pergunta, há sinais para o arrebatamento? Vejamos um pouco sobre uma doutrina chamada doutrina da iminência.

Pentecost escreve:

A igreja tem a ordem de viver à luz da vinda iminente do Senhor para transladá-la à Sua presença (Jo 14.2,3; At 1.11; I Co 15.51,52; Fp 3.20; Cl 3.4; I Ts 1.10; I Tm 6.14; Tg 5.8; I Pe 3.3,4). Passagens como I Tessalonicenses 5.6, Tito 2.13 e Apocalipse 3.3 alertam o crente a aguardar o próprio Senhor, não aguardar sinais que antecederiam Seu retorno. É verdade que os acontecimentos da septuagésima semana lançarão um prenúncio antes do arrebatamento, mas atenção do crente deve ser sempre dirigida para Cristo, nunca aos presságios.²

²J. Dwight PENTECOST, Manual de Escatologia – Uma análise detalhada dos eventos futuros.

(O autor citado acima faz referência à septuagésima semana, assunto não abordado aqui, por dois motivos, o primeiro é que o objetivo do post não seria apresentá-lo, segundo que o post ficaria muito grande, então peço perdão por apresentar um assunto que não será explicado. Espero poder voltar a ele depois.)

Vejamos, ainda dois textos:

Eis que eu lhes digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados,
num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.
1 Coríntios 15:51-52

Depois disso, os que estivermos vivos seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.
1 Tessalonicenses 4:17

Vemos que o apóstolo Paulo esperava pelo Senhor Jesus enquanto ainda estava vivo, ou seja, algo iminente. Então, vemos já que ele não esperava por sinais da vinda de Cristo, para entendermos que os apóstolos já pensavam assim.

Mas e os sinais de Mt 24? Se nós vermos Mt 24.30, veremos que Jesus faz referência a um evento visível, logo, os sinais são realmente da vinda de Cristo, onde todos o verão, o segundo advento e não o arrebatamento da igreja.

Ainda, gostaria de fazer mais uma referência a Pentecost:

L. A necessidade de um intervalo. A palavra apantesis (encontrar) é usada em At 28.15 com a ideia de “encontrar-se com”. Não raro se afirma que a palavra usada em I Tessalonicenses 4.17 tem a mesma ideia, logo a igreja deve ser arrebatada para retornar instantânea e imediatamente com o Senhor à terra, negando e tornando impossível qualquer intervalo entre o arrebatamento e o retorno. Não apenas a palavra grega não exige tal interpretação, como também certos acontecimentos previstos para a igreja após a sua translação tornam tal interpretação impossível. Os acontecimentos são: 1) i tribunal de Cristo, 2) a apresentação da igreja a Cristo e 3) as bodas do Cordeiro.

1. Passagens como II Coríntions 5.9; I Coríntios 3.11-16; Apocalipse 4.4 e 19.8,14 mostram que a igreja já terá sido examinada no que diz respeito à sua administração e terá recebido sua recompensa por ocasião da segunda vinda de Cristo. É impossível conceber esse acontecimento sem que transcorra algum período de tempo.

2. A igreja deve ser apresentada como presenta do Pai para o Filho. Scofield escreve:

Esse é o momento da suprema alegria de nosso Senhor – a consumação de toda a Sua obra de redenção.

“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio de lavagem de água pela palavra, PARA A APRESENTAR A SI MESMO Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito.” (Ef 5.25-27).
“Ora, aquele que é poderoso PARA VOS GUARDAR DE TROPEÇOS E PARA VOS APRESENTAR COM EXULTAÇÃO, IMACULADOS DIANTE DE SUA GLÓRIA” (Jd 24).

3. Apocalipse 17.7-9 revela que a consumação da união entre Cristo e a igreja precede a segunda vinda. Em muitas passagens, como Mt 25.1-13, 22.1-14 e Lucas 12.35-41, o Rei é visto no papel do Noivo na Sua vinda, indicando que o casamento já se realizou. Esse acontecimento, da mesma maneira, requer um período de tempo e torna impossível que o arrebatamento e a manifestação sejam acontecimentos simultâneos. Embora a extensão do período não esteja sendo verificada nessa discussão, faz-se necessário um intervalo entre o arrebatamento e a revelação.³

³ J. Dwight Pentecost, Manual de Escatologia – Uma análise detalhada dos eventos futuros.

Então, vemos aqui, que não só há diferença entre o arrebatamento e o segundo advento, como também o arrebatamento ocorrerá primeiro e que ainda pode ocorrer a qualquer instante e não devemos esperar por sinais, mas, sim, pelo Senhor Jesus e que haverá um intervalo entre os dois eventos. Então, todos as “revelações” de sinais sobre o arrebatamento são obras da carne e não condizem com a ortodoxia bíblia, sendo portanto rejeitados, Gl 1.8,9. Então, esperemos com fé o Senhor Jesus e sua vinda para buscar a igreja! Aleluia!

Os sinais do arrebatamento

Reino Milenial: Literal ou alegórico?

Amados, gostaria de tratar sobre um assunto escatológico, que é o milênio, ou reino milenial de Cristo. O objetivo não é um tratado escatológico (algo que eu nem poderia fazer), mas uma tentativa de resumo de uma doutrina de fé importante.

Para começar, o que seria este reino?

Vejamos Is 2.1-4:

Palavra que viu Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém.
E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.
E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do SENHOR.
E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear. 

Temos aqui uma ideia de um reino que virá da casa do Senhor.

Reveste da tua justiça o rei, ó Deus, e o filho do rei, da tua retidão,
para que ele julgue com retidão e com justiça os teus que sofrem opressão.
Que os montes tragam prosperidade ao povo, e as colinas, o fruto da justiça.
Defenda ele os oprimidos entre o povo e liberte os filhos dos pobres; esmague ele o opressor!
Que ele perdure como o sol e como a lua, por todas as gerações. 
Governe ele de mar a mar e desde o rio Eufrates até os confins da terra. 
Permaneça para sempre o seu nome e dure a sua fama enquanto o sol brilhar. Sejam abençoadas todas as nações por meio dele, e que elas o chamem bendito. 
Salmos 72:1-5, 8, 17

Neste salmo atribuído a Salomão, vemos sobre um reino eterno e que regerá toda a terra.

Vejam! Um rei reinará com retidão, e príncipes governarão com justiça. 
Isaías 32:1

Seus olhos verão o rei em seu esplendor e vislumbrarão o território em toda a sua extensão… Pois o Senhor é o nosso juiz, o Senhor é o nosso legislador, o Senhor é o nosso rei; é ele que nos salvará. 

Isaías 33:17, 22

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que levantarei para Davi um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. 
Jeremias 23:5

Vemos ainda referência em quase todos os profetas sob um reino teocrático futuro. Examinemos Daniel 2.31-35:

Tu olhaste, ó rei, e diante de ti estava uma grande estátua: uma estátua enorme, impressionante, e sua aparência era terrível.
A cabeça da estátua era feita de ouro puro, o peito e o braço eram de prata, o ventre e os quadris eram de bronze,
as pernas eram de ferro, e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro.
Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou.
Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira durante o verão. O vento os levou sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha e encheu a terra toda.  A visão da estátua de Nabucodonosor. No final, uma pedra, sem ajuda humana esmaga a estátua, um reino da parte de Deus e que jamais passará, Dn 4.44.

Então, podemos dizer que haverá um reino futuro divino. Mas quem será o rei?

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.
Ele estenderá o seu domínio, e haverá paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, estabelecido e mantido com justiça e retidão, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso. (Isaías 9:6-7) Esse texto fala de uma criança nascida, mas o profeta a chama de Deus forte, logo o rei será o Senhor Jesus, o descendente de Davi, Jr 23.5; II Rs 8.19. Vimos que Deus prometeu a Davi que sempre haveria um rei de sua linhagem, logo Jesus deveria ser descendente de Davi, Lc 3.23031.  Então, Jesus será o rei, sobre o reino ser literal ou não, vejamos At 1.6-7:

Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel? “
Ele lhes respondeu: “Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade. 

Os discípulos perguntaram a que tempo Jesus restauraria o reino a Israel e Jesus lhes disse que não compete ao homem saber quando, logo, o reino será literal, só que não sabemos quando será instaurado. Ainda vemos Zacarias profetizar Lc 1.69, 70, em conformidade com as outras profecias. Vindo, de novo, corroborar que o Reino é uma realidade.

Por último, vejamos sua duração, Ap 20.4: Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos. Deduzimos desta passagem que Jesus reinará por mil anos, juntamente com os salvos, sendo este, o reino já apresentado.

Então, amados, o reino será real, acontecerá literalmente. Esperemos pelo Senhor Jesus para que no tempo oportuno reinemos com Ele por mil anoa! Amém! Mt 24.35

 

Bibliografia: Manual de Escatologia – Uma análise detalhada dos eventos futuros, J. Dwight Pentecost

Reino Milenial: Literal ou alegórico?